Geralmente as pessoas preferem a janelinha. Eu também prefiro. Sempre que há lugar disponível eu me sento rente a janela do ônibus que me leva ao trabalho. Hoje mesmo pude ir observando o alvorecer. Que espetáculo! As cores pastéis, que pareciam pintadas sob encomenda para combinar com o dia frio, abriram caminho para o protagonista que ainda estava por chegar. E sutilmente chegou o sol que surpreende até o espectador mais cuidadoso, aparecendo num repente, colorindo a paisagem. Além desse tipo de contemplação natural existem os personagens e coisas que se espalham pelas ruas das cidades, muitas vezes exibindo situações muito interessantes. E ainda diminui a sensação de clausura que aparece durante a viagem de uma hora. É muito bom sentar perto da janela.
Mas hoje observei algo curioso. A maior parte das pessoas que se apressaram para pegar essas poltronas simplesmente viajou com a cortina fechada e dormindo. E me veio um paralelo interessante ao pensamento. Vejo muita gente correndo atrás de objetivos janelas. Cria-se uma ânsia, e essa ânsia cresce e toma conta da razão. Planos são traçados e esforços empenhados para alcançar tal objetivo. A realização pessoal parece estar guardada dentro desse objeto. Ele é indispensável para felicidade plena. Até que alcançam. Sentam-se na janelinha e ali fecham as cortinas e dormem. A janelinha não traz tanta felicidade para elas como para outros que, vendo o lugar vago, simplesmente sentaram-se ali e apreciaram a vista cientes de que sentados em outra poltrona também chegariam ao destino. Essa situação também mostra porque o termo grego traduzido como pecado significa “errar o alvo”, mas isso é assunto para outro post...
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