quinta-feira, 25 de junho de 2009
Letra da semana - Um dia - Leonardo Gonçalves
Num lugar onde tudo é perfeita luz
E onde conceitos como sombra e escuridão
Serão memórias de um passado sem comunhão
Um dia vou olhar pra Fonte de toda a luz
Sem piscar, vou contemplar o Ser que luz traduz
Vou enxergar que não é luz que causa as sombras,
Mas os obstáculos que já não mais haverá
Um dia a terra será bela, o mal não existirá
E, como foi um dia, de novo ficará
Um dia vou poder chegar até às estrelas
Num piscar vou viajar de sol a outro sol
E todo o tempo que existir entre elas
Será um segundo no universo e no espaço
Um dia todas as palavras entenderei
E os mistérios insodáveis compreenderei
E tudo aquilo que ainda estou a imaginar
Será real como o amor de Deus por mim
Um dia...
Um dia...
Um dia...
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Deus é pop?

A revista Época dessa semana traz como capa uma matéria sob o título “Deus é pop”. Através de uma pesquisa feita com jovens entre 18 e 29 anos, ela mostra que 90% deles acreditam em Deus. Também mostra que 66,2% são católicos e 18,8 são protestantes, ou seja, 85% professam ser cristãos. A maioria absoluta dos jovens acredita que Jesus é o Messias que está descrito nos antigos livros judaicos. Eles Acreditam que Ele é o salvador da humanidade, o Cristo! Mas a reportagem não pára por ai. Ela também mostra que 90% desses jovens crêem em reencarnação, mas nem católicos e nem protestantes aceitam essa doutrina, ou seja, os jovens não conhecem a própria religião. Um grande pensador disse que não era cristão por causa dos cristãos. Essa matéria poderia dar razão a ele, mas apenas se ficarmos na superficialidade.
Os professos cristãos atuais fizeram uma baderna sob o rótulo do cristianismo. Existem mais de duas mil denominações cristãs, todas com seu caminho e sua verdade. Existe cristianismo pra quem gosta de barulho, pra quem gosta de silêncio, pra quem curte de rock, pra quem gosta de forró. Não importa qual seja seu gosto, você achará uma igreja pra ficar à vontade. Eu também não fui cristão por muito tempo, porque era essa visão que eu tinha do cristianismo. Uma bagunça feita por gente que não pensa. Uma muleta pra gente alienada. E esse cenário poderia dar margem e razão para ateus, mas, novamente, apenas se ficarmos na superficialidade.
O mais incrível é que enquanto os de fora enxergam a fé cristã como algo irracional e inculto, os de dentro agem como se nada estivesse acontecendo. Eles pertencem a uma das duas mil denominações e fingem que as outras mil novecentos e noventa e nove não existem ou não são diferentes, ou se satisfazem com o que seus líderes falam sobre elas. Enquanto os cristãos deveriam estar agitados e envolvidos numa busca ávida pela verdade sobre Aquele que crêem ter dado a vida por eles, estão todos se deleitando despreocupados em seus clubes religiosos. Todos confortados em seu grupo de pessoas que pensam iguais. Na verdade dessa grande maioria que professam seguir o cristianismo, a maior fatia não passa de apreciadores de eventos gospel. De gente que encontrou numa igreja um espelho que podem olhar e ver uma pessoa mais boazinha no reflexo, sem ter que se preocupar com grandes mudanças, e sentem-se satisfeitos com isso. A verdade é que poucos querem conhecer Jesus, todos querem encontrar um Jesus mais parecido com seus ideais e morrem de medo quando alguém que se preocupa em pesquisar de verdade contraria suas certezas razas e alegóricas, formadas com o mínimo de esforço possível.
Ser cristão é querer ser parecido com Cristo e não tem como fazer isso sem conhecê-lo. Sem conhecer sua origem, sem conhecer o livro no qual ele baseou seu ensinos e onde está descrita sua vinda. A verdade é única e quem não está disposto a fazer da busca por essa verdade o objetivo principal da sua vida, não deveria se afirmar cristão para não rebaixar o cristianismo. Se você é alguém que apenas sente-se bem em uma igreja, não diga que é cristão para não fazer como a garota cheia de tatuagens “cristãs”, que encontrou uma igreja muito louca “cristã”, que fala gírias e curte rock em nome de Jesus. Ela não quer gastar tempo com pesquisas e estudos profundos e demorados. Ela nunca buscou opiniões contrárias às que ela ouviu na sua igreja. Ela só quer um Jesus do jeito dela, assim como a maioria quer um do seu. Ela não quer ser contrariada, assim como a maioria não quer. Se apenas quem está disposto a abandonar tudo para ser o que Jesus quer. Se apenas quem estivesse disposto a abandonar gostos, prazeres, tradições familiares e, principalmente, convicções! Se apenas essas pessoas se considerassem cristãs, então o cristianismo não seria motivo de piadas, como é hoje.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Como foi sua contribuição hoje?

Eu não vejo um símbolo melhor para representar o significado da palavra futuro do que uma criança. Ignorar o fato de que o porvir está nas mãos desses pequenos seres em crescimento é o mesmo que questionar a existência do oceano ou do Sol. Frente a esse inegável fato, que futuro nós conseguiremos projetar, hoje? E a sua contribuição é positiva ou negativa para a formação das crianças? Essa projeção envolverá várias variáveis, porém gostaria de convidar o leitor para se concentrar em apenas uma das preocupações que devemos ter: a exploração sexual infantil.
É comum sermos bombardeados pelas nojentas notícias de crianças violentadas. O tema se mantém em qualquer veículo de comunicação, o que varia são os personagens. Esses estão ficando cada vez mais absurdos e surpreendentes. Estão deixando de ser os bandidos dementes, as escórias; para dar lugar a pessoas polidas e bem vistas como professores, padres e os próprios pais das vítimas. Pessoas que deveriam ser referência e fonte de amor invertem seus papéis. As atrocidades também nos surpreendem. Quando pensamos que já foram cometidos todos os tipos de loucuras, aparece a noticia de uma escrava sexual do próprio pai que vive e cria os filhos num porão, aonde as crianças nasceram sem nenhum auxílio médico ou higiene. Crianças que cresceram sem conhecer a luz solar. Não é minha intenção mencionar fatos impressionantes, todos já sabemos deles. Como foi citado no início gostaria de refletir sobre a origem deles.
Não existe explicação ou razão para esse tipo de comportamento simplesmente porque ele não é natural, ele nasce em mentes doentias. Não podemos alcançar esses pensamentos porque uma mente sã não pode experimentar os frutos de uma mente doente. Mas é certo que toda doença tem um agente causador e nisso podemos refletir, buscar o que pode estar contaminando essas mentes.
Nesse caso penso que a cultura popular é a maior responsável pela disseminação do problema. A sociedade é leviana com a divina responsabilidade que cada um é natural e obrigatoriamente dotado no tocante à educação e formação do caráter das crianças. E essa responsabilidade não se limita a pais e familiares, mas cada ser humano que se encaixe nas definições da palavra gente é incumbido dessa missão. Também não alcança apenas as crianças que conhecemos ou podemos ver, mas a todas que fazem parte da sociedade. Você participa da produção da cultura que adoece mentes quando é espectador de programas que exaltam a sensualidade. Se você não ouvisse músicas que pintam cenas sexuais grotescas em suas letras, acompanhadas de um ritmo que embala danças que imitam movimentos sexuais ou tornam as dançarinas em objetos de desejo, essa cultura não existiria. Ela só é produzida porque existe consumidor. E quanto mais consumidores, maior a quantidade produzida. E pela inundação desse tipo de material em nosso meio, sabemos que o número de consumidores é enorme. Sabemos que vivemos em uma sociedade que endeusa o sexo. Que esse é o tema que mais vende produtos e idéias. O desejo sexual é usado para vender desde barbeadores até cereais matinais que prometem um corpo com formas desejáveis. E os efeitos desses materiais nocivos afetam as pessoas de diferentes formas. Em algumas pessoas aflora o desejo sexual que não se satisfaz apenas com um parceiro. Para outros a idéia de relacionamento fica turva e mirabolante, onde o sexo é o elemento central. Outros se isolam por não se considerarem nos padrões dos objetos sexuais. E alguns são afetados de tal forma que se entorpecem e destroem seus escrúpulos, cometendo barbaridades.
Portanto, cada programa que escolhemos assistir, cada música que escolhemos ouvir, cada filme que decidimos ver, cada assunto que conversamos e cada roupa que vestimos. Tudo que fizermos e consumirmos serão tijolos positivos ou negativos que acrescentaremos à produção da nossa cultura. Não existe opção neutra: ou é positiva ou negativa. E nossa cultura é a atmosfera de valores que deixaremos como herança às nossas crianças. Que tipo de cultura você tem ajudado a produzir? Que tipo de futuro você consegue imaginar cercado pelos costumes atuais? Lanço um desafio. Na próxima notícia nojenta, que com certeza você verá, tente imaginar a parcela de culpa que você tem por ajudar na produção do agente causador da doença mental dos autores da barbárie. Pense nas influências que você deixa ao mundo e não se esqueça das pequenas coisas que parecem insignificantes e não são. E lembre-se que o futuro ou as crianças dependem de tudo o que fazemos, ou seja, nós ajudamos a fazer o futuro.